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Entrevista

Daniella Lazary

Daniella Lazary“Faço a integração entre a experiência do meu pai e as novidades do mundo gastronômico”
Eles são três. Daniella, a filha; Lazary, o pai; Thiago, o marido. Comandam o Buffet que há 25 anos tem no currículo, além de boa comida, um desempenho impecável. Isso gerou tanta credibilidade que os serviços do Lazary foram parar na mesa do Presidente da República. Sim, eles serviramao presidente Lula e comitiva em 2003 na inauguração de um estaleiro em Angra dos Reis. Sem contar as muitas celebridades que vez ou outra provam do cardápio sempre atualíssimo. Em entrevista exclusiva à revista Festejar, Daniella de Melo Lazary Malta conta como, depois de ter feito a faculdade de Gastronomia e Eventos, decidiu atender aos apelos de seu Lazary e acabou se apaixonando pelos encantos da boa mesa. Hoje é uma das que conduz com maestria o negócio iniciado pelo pai e faz a intermediação entre o que aprendeu com ele e a moderna culinária.  

Nesses 25 anos de existência do Buffet Lazary, o que mudou de lá para cá?
Que “ingredientes” a tornaram uma empresa de sucesso?
Tenho consciência de que chegar aos 25 anos de serviço é uma experiência e tanto. Nossos principais ingredientes são o amor pela profissão, a dedicação aos nossos clientes e os bons profissionais que temos. A principal propaganda do Lazary foi e continua sendo a indicação de clientes e parceiros profissionais que confiam em nosso trabalho. Se há uma coisa que não muda na empresa é o fato de respeitarmos o cliente em primeiro lugar, e é nisso que reside a excelência de nossos serviços. Por outro lado, estamos constantemente abertos às mudanças do mercado, procurando oferecer aos clientes as novidades do mundo gastronômico.

Alguns especialistas em Gastronomia e donos de restaurante têm reservas com relação a modismos e novidades. Você diria que o Lazary tem perfil conservador ou moderno?

Não gosto muito de nos rotular, ou seja, dizer que somos totalmente conservadores ou totalmente modernos. Não sou a favor de criações muito bonitas mas que não tenham uma boa sintonia de sabores. Gosto muito de conhecer meus clientes e montar algo que seja adequado a eles e aos seus convidados.

Já passou alguém pelo Buffet que absorveu tão bem o ofício que abriu seu próprio negócio?

Sim, alguns. Não somos contra esse tipo de conduta, só acho que o profissional tem que ser transparente e nos procurar para conversar. Dizer que daquele momento em diante ele buscará algo melhor. Não tenho como me opor a esse tipo de procedimento, pois foi assim que começou o Buffet Lazary.

Falando nisso, conte um pouco dessa fase inicial e em que época especificamente você começou a fazer parte da história da empresa.

É uma longa história, por isso vou tentar resumir. Meu pai começou como garçom. Acompanhei tudo desde muito pequena, porém não fui pressionada a trabalhar com ele. Quando fiz minha primeira faculdade – Turismo e Hotelaria – coincidentemente estagiei num hotel. Fui parar na cozinha do estabelecimento e, a partir dessa experiência, resolvi preparar minha monografia sobre Gastronomia no Nordeste. Na ocasião, tive que pesquisar muito sobre o assunto e fui me apaixonando. Ao mesmo tempo, o convite do meu pai era insistente: “Venha trabalhar no que é seu...”. Logo depois de concluir a faculdade, resolvi fazer Gastronomia. Comecei a me envolver cada vez mais e daí vieram as realizações profissionais.

Como você traçaria o perfil de seu pai?

Meu pai é um guerreiro, um empreendedor nato. Aprendi e continuo aprendendo com ele várias lições, mas a principal é trabalhar sempre com fartura. Quem conhece o Lazary sabe do que estou falando. Em nossos eventos, sempre fazemos um cálculo de comidas e bebidas de forma que os convidados sejam muito bem servidos. Uma frase típica dele é: “Nunca quero deixar a desejar”. Por isso, antes de trabalhar para o cliente, trabalhamos para nós mesmos. Outra coisa é que meu pai faz questão de estar presente em todas as decisões. É um privilégio poder fazer a integração entre o que temos de novo e a experiência dele.

E a participação de seu esposo, de que forma acontece?

Procuramos, como equipe, acompanhar cada processo, desde as compras até o momento do evento. Então Thiago é o meu grande parceiro. Costumo dizer que faço as criações e ele busca os ingredientes para que o produto final seja o melhor possível. Ele também cuida da parte administrativa e marca presença nas festas, em sistema de revezamento, pois achamos importante ter sempre um de nós em cada evento.

Quais são os pratos mais pedidos? Que tipo de serviço tem mais saída?

Já passamos por várias fases – a mesa de frios, de jantares à francesa, dentre outras. Hoje em dia, os pratos mais solicitados são os servidos em miniporções. Servimos várias opções que funcionam como minijantares, e realizamos um serviço mais dinâmico. Outra solicitação recorrente são os grandes eventos de coquetel seguido de jantar. Costumo dizer que o evento tem que ter o perfil dos anfitriões e de seus convidados, por isso nenhuma festa é igual à outra.

Para qual tipo de evento vocês são mais requisitados?

Sem sombra de dúvida para casamentos. Em seguida vem festa de 15 anos e eventos corporativos.

Vocês já atenderam a muitas celebridades. Houve um fato em especial que os levou a ter penetração nesse meio?

Acredito que tenha sido a credibilidade de nossos bons serviços, conquistada ao longo desses anos com muito trabalho. Receber o então presidente Lula foi um acontecimento muito importante para nós, mas o que mais nos marcou foi o almoço ministerial, que reuniu os ministros das Relações Exteriores do Brasil, da Índia e de outros países. Para esse evento veio uma equipe do cerimonial do governo da República, que depositou em nós uma confiança muito grande. Foi uma enorme responsabilidade.

Conte alguma saia justa que tenha vivido e que exigiu tato da sua parte para contornar a situação.

Hum... acho que foi um casamento para 200 pessoas e que deu o dobro. Tivemos que ir ao Buffet pegar mais comida e sair comprando bebidas geladas em lanchonetes e bares. A situação ficou tão complicada que fomos “obrigados” a explicar para os convidados que a culpa não era nossa. Sorte que esse tipo de conduta hoje em dia é muito difícil, pois a maioria dos clientes tem consciência de que para o evento ser perfeito, cliente e fornecedor precisam falar a mesma língua.

Você consegue tirar férias como todo mundo, ainda mais com um filho pequeno? No seu ramo, o que mais lhe dá prazer e o que mais lhe estressa?

Como somos três no comando, geralmente escolhemos uma época com menos eventos para Thiago e eu tirarmos 15 dias de folga. Nessas ocasiões meu pai assume e, em época posterior, é ele quem se retira. O que mais me dá prazer é quando elaboro com os meus clientes os seus cardápios e “viajo” junto com eles. É uma delícia! O que mais me estressa é quando acontece algo que não tenha sido combinado entre ambas as partes, como aconteceu naquele casamento já mencionado.

O que é mais difícil na sua profissão: liderar a equipe, renovar o cardápio ou lidar com a clientela?

Em minha opinião, a principal dificuldade não é liderar, e sim lidar com algumas pessoas. Quando há a presença de vários profissionais, há também divergência de opiniões. Converso e escuto muito, e consequentemente aprendo bastante, mas na hora da decisão, às vezes tenho que ser incisiva, pois é minha responsabilidade preservar o perfil de nosso Buffet.

Quais são as qualidades que fazem de você uma boa profissional?

Não só na minha área, como em qualquer outra, gostar daquilo que se faz torna você uma pessoa realizada profissionalmente e, por conta disso, seu trabalho passa a ser reconhecido.

Todo mundo pode aprender a cozinhar?

É claro que pode! Só acho que já existem pessoas que nascem com o dom. Em nossa equipe temos pessoas que não possuem cursos e cursos no currículo, mas quando trazemos novidades, elas desenvolvem o prato com a maior facilidade. O meu conselho é não criar regras, pois a nossa Gastronomia está em constante mudança, e amar o que se faz – acima de tudo.

Quais são as últimas tendências gastronômicas na área de eventos?

A união de cores e sabores, de comidas contemporâneas e nacionais. Hoje em dia canapés leves e comidinhas individuais estão em alta.

A qual tipo de comida você particularmente não resiste?

Sou boa de garfo (rsrs) e não resisto a pratos que tenham camarão e frutos do mar. Um bom risoto de camarão me deixa com água na boca!

Olho:
“Para o evento ser perfeito, cliente e fornecedor precisam falar a mesma língua”

Texto: Gláucia Victer
Fotos: Arquivo Pessoal


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